segunda-feira, 26 de maio de 2008

O avião que não caiu


Foto: Eduardo Nicolau/AE

Terça-feira, 20 de maio, 17h. A redação pára quando a Globo News, durante a transmissão ao vivo da CPI dos Cartões Corpotativos, começa a transmitir um alerta em que diz que um avião da empresa aérea Pantanal caiu na zona leste de São Paulo. Repórteres saem correndo às ruas. Eu sou uma delas. Às 17h30, estou parada no trânsito a pelo menos 2 km do local do possível acidente. O congestionamento é enorme, nada anda. Desço do táxi e começo a correr, uma alucinada entre milhares. Imagina, um avião caiu em São Paulo. Tenho de chegar à notícia e fazer a matéria. Não é todo dia que isso acontece. Mas seria o terceiro ano consecutivo que um acidente deste porte se repeteria nos ares brasileiros.

Tento parar três motoqueiros, para ver se me dão uma carona. Nenhum deles quer me ajudar, pois não tenho capacete. O quarto motorista que eu paro tem um capacete reserva na mochila e resolve me ajudar. "Graças a Deus", agradeço eu. Bons repórteres também precisam ter sorte.

Bem, correndo, rasgo meu sapato. Dois furos. Continuo correndo e chego ao local. Uma verdadeira operação de guerra foi montada. Pelo menos 25 carros dos bombeiros, GOE (Grupo de Operações Especiais) da Polícia Civil, Subprefeituras, PM, Defesa Civil, Garra, e diabo a quatro. O que você imaginar que poderia estar presente em uma tragédia se dirigiu para a região. A coordenadoria de subprefeituras informou que estava preparada para acionar caminhões-pipa e montar barracas para o resgate de feridos.

Tudo isso porque a Globo News divulgou por quinze minutos, das 17h10 às 17h25, a informação errada. O avião não caiu. Foi apenas um curto circuito em uma loja de colchões.

Como um repórter precia contar com a sorte, encontrei o PM que passou a informação errada. Ele me confessou que, ao chegar no local do incêndio, às 17h10, populares pulavam encima da viatura gritando que um avião tinha caído. Ele, então, passou a informação pelo rádio, à corporação, de que um avião tinha caído. No mesmo instante, uma aeronave da Pantanal passou sobre sobre o local, informando à torre de Congonhas que não conseguiria pousar porque havia muita fumaça de um incêndio na região.

Alguém na Globo News, então, interceptou o rádio da PM, misturou alhos com bugalhos e deu no que deu. Barriga.

Um comentário:

Anônimo disse...

Aqui no Estadão também foi uma loucura esse dia. Como jornalista adora tragédia. Até quando não existe, inventam e aumentam...