quinta-feira, 27 de março de 2008

José Hamilton Ribeiro



O coronel André Novaes, comandante do CIOpPaz (Centro de Instrução de Operações de Paz) do Exército, brindou o grupo que se formou jornalista de guerra com um trecho da entrevista do grande José Hamilton Ribeiro à Revista Grandes Guerras deste mês (Edição 22), sobre a cobertura da Guerra do Vietnã e o acidente, em que o repórter da Realidade pisou em uma mina.

GG: você passou por treinamentos para poder acompanhar as tropas americanas na Guerra do Vietnan?

JH: Não. E nem sei se existia algo semelhante para jornalistas, como há atualmente. Sei disso porque passei por essa experiência recentemente. Minha filha é casada com Sérgio D'Ávila, repórter da Folha de S. Paulo que foi ao Iraque, e ele teve que fazer um curso destinado a jornalistas que atuam em regiões de conflito.

GG: Mesmo em condições muito diferentes daquelas que existia em 1968, você acha que hoje valeria a pena participar de uma nova cobertura de guerra?

JH: Claro. Se o jornalista tem vocação de repórter, tem de ir para contar o que acontece da forma mais imparcial possível. Para mim, qualquer guerra só é importante se tem alguém que escreva sobre ela. O que seria de Canudos sem Euclides da Cunha? Seria um mero relato de manobras militares de três ou quatro páginas, com o número de baixas de cada lado.

"Cobrir uma guerra é o degrau mais alto da carreira de um repórter."

Ao coronel Novaes, nosso obrigado pelo trecho. E ao José Hamilton, que mesmo aos 80 anos continua em plena forma como repórter, dedicamos a frase que ele ouviu de seu editor da Realidade quando foi ao Vietnã, a mesma que ele disse ao genro, Sérgio DÁvila, quando este foi ao Iraque em 2003.

A mesma frase que todos nós, repórteres, sonhamos em um dia ouvir de bons editores que apostam em nosso potencial para cobrir um conflito.

"Vai, mas volta vivo para contar a história".

Para quem ainda não leu, recomendo "O Gosto da Guerra", de José Hamilton Ribeiro.

Um comentário:

Edinho disse...

o artigo, Tatá...