domingo, 30 de março de 2008

Morre fotógrafo que inspirou o filme 'Os Gritos do Silêncio'

Dith Pran morre aos 65 anos, vítima de câncer (Foto: Reuters)

O fotógrafo cambojano Dith Pran, cuja experiência de vida sob o regime dos Khmeres Vermelhos inspirou o filme "Os gritos do silêncio", morreu neste domingo (30) em Nova Jersey devido a um câncer de pâncreas.
A notícia foi comunicada publicamente por seu amigo e antigo correspondente de guerra do "New York Times", Sydney Schanberg, que também foi representado no filme, que estreou em 1984.
Dith Pran trabalhava para Schanberg como assistente e intérprete no Camboja em 1975, quando o país passou para as mãos dos Khmeres Vermelhos.
Após cobrir a chegada ao poder deste regime marxista, as autoridades não deixaram o Pran sair, o que permitiram ao jornalista americano, que sempre se lamentou de ter tido que abandonar Pran.
Após quatro anos de torturas e castigos, Pran conseguiu escapar para a Tailândia e ali enviou uma mensagem a seu antigo companheiro, que saiu imediatamente dos Estados Unidos para se encontrá-lo, em um emotivo reencontro.
"Durante quatro anos busquei sem sucesso qualquer prova de vida de Pran. Já estava perdendo toda a esperança. Mas sua ligação de emergência foi como um milagre para mim. Devolveu-me a vida", confessou pouco depois o correspondente do "New York Times".
Em 1980, Schanberg escreveu em uma reportagem, e posteriormente em um livro, o sofrimento de seu companheiro, relato que serviu de inspiração para o filme, que ganhou três estatuetas do Oscar.
O artigo, que recebeu o título de "The death and Life of Dith Pran" (A Morte e Vida de Dith Pran, em tradução livre) deu a Schanberg um Prêmio Pulitzer, em 1976.
Após escapar do Camboja, Pran se instalou nos Estados Unidos e começou a trabalhar para o "New York Times" como assistente do departamento de fotografia, onde aprendeu a mexer na câmara nas ruas de Nova York.
Dith Pran, que no momento de sua morte tinha 65 anos, fundou uma organização para conscientizar o mundo sobre o regime dos Khmeres Vermelhos, que governou o Camboja entre 1975 e 1979, e que foi responsável pela morte de cerca de mil de pessoas.
Além disso, foi embaixador de Boa Vontade do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur).
Quando o líder dos Khmeres Vermelhos, Pol Pot, morreu em 1998, Pran lamentou que o ditador nunca tivesse sido julgado perante a Justiça pelos crimes cometidos, entre eles a morte de seus três irmãos.

Antes de Partir...

Guerreiras e guerreiros:
Este artigo saiu na Revista do Globo, no domingo seguinte ao fim do nosso curso. Tou postando pois vale à pena ler.

Antes de partir, por Martha Medeiros

Um filme cujos protagonistas são Jack Nicholson e Morgan Freeman, com diálogos bem construídos e um humor inteligente (mesmo tratando de um assunto difícil como a finitude da vida) já entra em cartaz com vantagem, mesmo que o roteiro não seja lá muito surpreendente.
Antes de Partir não é mesmo surpreendente, mas isso também pode ser uma coisa boa. Ficamos sempre correndo atrás de fórmulas novas quando deveríamos nos dedicar mais a reforçar certas verdades. E a verdade do filme, se pudesse ser resumida numa frase, seria: aproveite o tempo que lhe resta. Nada que você já não tenha escutado mil vezes.
Nicholson e Freeman interpretam dois sessentões que descobrem estar com uma doença terminal. Os prognósticos apontam seis meses de vida para cada um, no máximo um ano. E agora? Esperar a extrema-unção numa cama de hospital ou buscar a extrema excitação?
Sem piscar, eles aventuram-se pelo mundo praticando esportes radicais, conhecendo lugares exóticos, desfrutando todos os prazeres de uma vida bem vivida - claro que um deles é milionário e banca tudo, detalhe que nos falta na hora de pensar em fazer o mesmo. Você não pensa em fazer o mesmo?
Você, eu e mais 6 bilhões de homens e mulheres também estamos com a sentença decretada, só não sabemos o dia e a hora. Está certo que é morbidez pensar sobre isso quando se é muito moço, mas alcançando uma certa maturidade, já dá pra parar de se iludir com a vida eterna, amém. Com dinheiro ou sem dinheiro, faça valer a sua passagem por aqui. Não sei se você percebeu, mas viver é nossa única opção real. Antes de nascermos, era o nada. Depois, virá mais uma infinidade de nada. Essa merrequinha de tempo entre dois nadas é um presentaço. Não seja maluco de desperdiçar.
Ok, quantos de nós podem sair amanhã para um safári na África, para um tour pelas pirâmides do Egito, para um jantar num restaurante cinco estrelas na França? Ou teria coragem de saltar de pára-quedas e pisar fundo num carro de corrida numa pista em Indianápolis? Se não temos grana nem dublês, então que a gente se divirta com outro tipo de emoção, que o filme, aliás, também recomenda.
Reconheçamos o básico: uma vida sem amigos é uma vida vazia. O mundo é muito maior que a sala e a cozinha do nosso apartamento. A arte proporciona um sem-número de viagens essenciais para o espírito. Amar é disparado a coisa mais importante que existe.
Que mais? Desmediocrize sua vida. Procure seus "desaparecidos", resgate seus afetos. Aprenda com quem tiver algo a ensinar, e ensine algo àqueles que estão engessados em suas teses de certo e errado. Troque experiências, troque risadas, troque carícias. Não é preciso chegar num momento limite para se dar conta disso. O enfrentamento das pequenas mortes que nos acontecem em vida já é o empurrão necessário. Morremos um pouco todos os dias, e todos os dias devemos procurar um final bonito antes de partir.
Martha Medeiros

quinta-feira, 27 de março de 2008

José Hamilton Ribeiro



O coronel André Novaes, comandante do CIOpPaz (Centro de Instrução de Operações de Paz) do Exército, brindou o grupo que se formou jornalista de guerra com um trecho da entrevista do grande José Hamilton Ribeiro à Revista Grandes Guerras deste mês (Edição 22), sobre a cobertura da Guerra do Vietnã e o acidente, em que o repórter da Realidade pisou em uma mina.

GG: você passou por treinamentos para poder acompanhar as tropas americanas na Guerra do Vietnan?

JH: Não. E nem sei se existia algo semelhante para jornalistas, como há atualmente. Sei disso porque passei por essa experiência recentemente. Minha filha é casada com Sérgio D'Ávila, repórter da Folha de S. Paulo que foi ao Iraque, e ele teve que fazer um curso destinado a jornalistas que atuam em regiões de conflito.

GG: Mesmo em condições muito diferentes daquelas que existia em 1968, você acha que hoje valeria a pena participar de uma nova cobertura de guerra?

JH: Claro. Se o jornalista tem vocação de repórter, tem de ir para contar o que acontece da forma mais imparcial possível. Para mim, qualquer guerra só é importante se tem alguém que escreva sobre ela. O que seria de Canudos sem Euclides da Cunha? Seria um mero relato de manobras militares de três ou quatro páginas, com o número de baixas de cada lado.

"Cobrir uma guerra é o degrau mais alto da carreira de um repórter."

Ao coronel Novaes, nosso obrigado pelo trecho. E ao José Hamilton, que mesmo aos 80 anos continua em plena forma como repórter, dedicamos a frase que ele ouviu de seu editor da Realidade quando foi ao Vietnã, a mesma que ele disse ao genro, Sérgio DÁvila, quando este foi ao Iraque em 2003.

A mesma frase que todos nós, repórteres, sonhamos em um dia ouvir de bons editores que apostam em nosso potencial para cobrir um conflito.

"Vai, mas volta vivo para contar a história".

Para quem ainda não leu, recomendo "O Gosto da Guerra", de José Hamilton Ribeiro.

Assistam vídeo do curso!


Caros, prestigiem o vídeo que nosso grande Kaiser produziu sobre o curso que fizemos:


http://www.youtube.com/watch?v=9MaIRMUKxEw

segunda-feira, 24 de março de 2008

MATÉRIA DO TREZZI NO ZERO HORA

23 de março de 2008 N° 15549AlertaVoltar para a edição de hoje
Exército treina jornalistas para sobreviver a guerras
Só no ano passado, 106 profissionais de imprensa morreram durante cobertura de guerras no mundo

O sol é uma fornalha, e os 37ºC tornam uma tortura a caminhada pela trilha em meio a arbustos. A dor de cabeça aumenta, agravada pelos quase 20 quilos de equipamentos que cada um dos jornalistas e soldados carrega: nove quilos no colete à prova de balas formado por quatro chapas de aço, dois quilos de capacete e mais oito da mochila presa às costas.Asituação poderia ficar pior? Fica. Dois clarões surgem das sombras no morro em frente à trilha e de imediato o sargento que comanda a patrulha berra: cuidado!Jornalistas e soldados se atiram para o mato e rolam no barro, com equipamento e tudo. Só depois é que se ouve os sons dos tiros de fuzil. Sim, para quem não sabe, um tiro é antes visto - quando isso é possível - e depois ouvido, já que as balas superam a velocidade do som.Ninguém morre de verdade, porque os projéteis eram de festim. A emboscada foi uma das muitas registradas durante o primeiro curso para jornalistas correspondentes em áreas de risco, ministrado no Rio de Janeiro, na segunda semana de março, pelo Exército. O treinamento foi realizado em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU). Zero Hora estava lá, com 15 outros representantes de veículos de comunicação, entre eles o jornal francês Le Figaro e a agência britânica de notícias Reuters.Mortes de jornalistas superam a de soldados em alguns locaisO curso foi idealizado porque a mortandade entre repórteres que cobrem conflitos é muito grande. Em alguns locais, supera a de soldados. Jornalistas, na maioria das vezes, não sabem circular em zona de guerra, apenas intuem. É para mostrar as técnicas corretas de sobrevivência, válidas para soldados ou civis, que o Centro de Instruções de Operações de Paz do Exército (Cioppaz), criado há dois anos no Rio, realizou este treinamento. Os militares desejam prevenir também mortes na guerra interna que assola algumas regiões do Brasil, como as favelas da cidade fluminense.O Rio das praias famosas fica bem longe desse curso. Tudo ocorre na abafada Zona Norte, onde o calor é calcinante. Primeiro, num quartel no bairro de Deodoro, onde os jornalistas dormem em contêineres e se submetem a 15 horas de aulas por dia - entre palestras e atividades. Depois, em barracas montadas no campo de instruções do Exército de Gericinó.No treino abundam as "mortes" metafóricas. Três jornalistas e dois soldados, por exemplo, são atingidos por um "sniper" (atirador de precisão) emboscado numa árvore. Como sabem que foram acertados? Porque sensores infravermelhos presos ao corpo indicam cada vez que a pessoa é alvo de disparos de festim.Uma sirene tocou para avisar que todos estavam mortosO repórter de ZH também "morreu" de mentirinha. Foi quando tentava localizar uma mina explosiva enterrada. Um sargento especialista pediu que o jornalista colocasse de forma errada, propositalmente, a vareta usada por soldados para detectar o explosivo abaixo do solo. Assim foi feito. Uma sirene tocou, avisando que todos, num raio de 15 metros, estavam "mortos".Os repórteres tiveram ainda noções sobre como se localizar na mata com GPS, evitar emboscadas numa favela, socorrer e carregar feridos, escapar de um quartel sob fogo de morteiros. Divertido, mas ao mesmo tempo sério. Talvez com esse tipo de curso encolham estatísticas como a do ano passado, quando 106 jornalistas morreram em guerras.( humberto.trezzi@zerohora.com.br )HUMBERTO TREZZI

domingo, 23 de março de 2008

Queridos guerreiros da notícia. Após vivenciar dias de agonia e alegria ao lado de vocês, admito que me tornei uma pessoa mais compreensiva com o ser humano. A rotina diária do jornalista se equivale a uma batalha incessante, mas nada se compara ao real risco de se perder a vida em busca de uma boa matéria. Dar furo é o que todos nós almejamos, mas viver em segurança é fundamental. Sigamos na nossa missão nobre de informar, mas sem jamais esquecer de quão importante é nos mantermos vivos, felizes, saudáveis e acima de tudo bem humorados. Grande beijo,
Marcia

quarta-feira, 19 de março de 2008

Parem as máquinas!!!!!


Sejam bem-vindos ao blog da primeira turma do "Curso de Preparação de jornalistas para Áreas de Conflito", realizado pelo Exército do Brasil e pelo escritório da Organização das Nações Unidas (ONU). Aqui poderemos conhecer melhor cada um dos repórteres que participaram e saber um pouquinho dos desafios que aprenderam a superar. Além é claro, das piadas, imitações do Fachel, das discussões, dos joelhos ralados, da ração diária, e da pizza que nunca veio. Sem falar dos repórteres baleados e do passeio de Urutu.
Cascata!!!!
(ps: este texto é provisório)
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